Esses dias vagando pelo arca bolso literário me deparei com uma frase de Jean-Paul Sarte, que diria mais ou menos assim " L'homme est condamné à être libre" . O homem está condenado a ser livre! Ora, que liberdade é essa ? - Pensei eu, na minha ignorância -. Fui dormir pensando nisso, e quando acordo, vejo outra frase do mesmo autor " L’existence précède l’essence " , traduzindo seria, a existência precede a essência, ou seja, primeiro você existe para depois ser. Você é aquilo que faz, aquilo que produz.
Então pensei e relacionei as duas frases, chegando a uma premissa que sou condenado a ser livre e sou produto das minhas escolhas, sou o que escolho ser , mesmo que eu escolha seguir a determinado padrão social eu escolhi escolher isso e o que determina minha existência e consequentemente minha essência ( o que eu sou) é a escolha. Uma escolha errada num ponto de vista Sartriano invalidaria uma vida inteira, não haveria essência numa vida não escolhida.
Para Sartre, então não haveria como eu dizer que não fui ou deixei de ser por culpa de outrem, isso seria qualificado como má fé. A responsabilidade de escolha é tal que não há escapatória. Você escolhe o que é e por consequência o que deixa de ser.
Seria muito fácil a vida se assim fosse, digo, deveria realmente ser assim, no meu ponto de vista, simples, reto e final. No entanto, não o é, pelo menos não consegui assim ser.
A partir do momento que penso em fazer uma escolha, surge a figura do outro, que afeta diretamente, e que contraria totalmente a filosofia Sartriana. Seria eu fraco a tal ponto? Humano, demasiado humano, como diria Nietzsche em seu livro? Será a figura do outro benéfica até qual ponto? Até que ponto posso condicionar minha liberdade ao outro? Pode ser que eu esteja falando besteira atrás de besteira, mas isso tem me incomodado. Sou livre para escolher, mas minha liberdade de escolha é condicionada a diversos fatores sociais, emocionais, pessoais. Estaria eu transpondo ao outro minha incapacidade de decidir incluindo esses fatores? Sartre talvez diria que sim!
Mas penso eu o que seria se não existisse esse pedaço de indecisão nas decisões... Ainda não cheguei a concluir nada, só noites pensando e pensando... Ah Sarte, como tem me feito pensar..
De outro lado até que ponto a má-fé dita por Sartre e por mim entendida como diversos fatores condicionantes nas decisões influenciaria uma vida? Até o ponto de uma vida não vivida? Uma vida determinada não por si, mas por fatores condicionantes? Uma vida devota ao outro e não a si? Vale a pena? Fernando Pessoa diria que sim, pois tudo vale a pena, se a alma não é pequena.. Mas e a vida? É breve o suficiente para que possamos ainda mais apequená-la?
Por enquanto só uma coisa eu sei: Sartre, têm me dado muita dor de cabeça!

Brilhante!!! Genial!! Adorei. Beijos...
ResponderExcluirObrigado, Susana. Fico imensamente feliz que tenha gostado! Beijos..
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